Canetas emagrecedoras podem causar alterações na região íntima feminina, alerta ginecologista

Da Redação | Criciúma (SC)

O uso crescente das canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, tem transformado o tratamento da obesidade e do sobrepeso. Ao mesmo tempo, especialistas passaram a observar efeitos da perda de peso em diferentes partes do corpo, inclusive na região íntima feminina.

Segundo a ginecologista Gabriela Crema, da Clínica Belvivere, a perda de gordura corporal também pode afetar estruturas da vulva, especialmente em mulheres que emagrecem muitos quilos em um curto período.

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A médica explica que a vulva possui tecido adiposo, principalmente nos grandes lábios e no monte pubiano. Com o emagrecimento, essa gordura pode diminuir, provocando flacidez, perda de volume, ressecamento, desconforto durante as relações sexuais e mudanças na percepção corporal.

Mudanças vão além da balança

Nem todas as pacientes apresentam essas alterações. O impacto varia conforme a quantidade de peso perdido, a velocidade do emagrecimento, a idade, a genética, a qualidade da pele, o histórico de gestações e os níveis hormonais.

“Mulheres próximas da menopausa podem perceber mudanças mais intensas, já que existe uma tendência natural à redução de colágeno e gordura vulvar nessa fase da vida”, afirma a ginecologista.

Gabriela esclarece ainda que a perda de peso não provoca diretamente o alargamento do canal vaginal, mas pode reduzir a sustentação dos tecidos do assoalho pélvico e aumentar a sensação de flacidez local, especialmente em mulheres que já tiveram partos vaginais ou apresentam redução dos níveis de estrogênio.

Tratamentos dependem da avaliação individual

Quando há impacto funcional ou desconforto, existem opções de tratamento a serem indicadas de forma individualizada. Entre elas estão os bioestimuladores de colágeno, que auxiliam na firmeza e na qualidade dos tecidos, o enxerto de gordura nos grandes lábios para reposição de volume e tecnologias como radiofrequência e laser, que estimulam colágeno, vascularização e hidratação da mucosa.

Em alguns casos, também pode haver indicação de tratamento hormonal local e fisioterapia pélvica, especialmente quando há queixas relacionadas à sustentação dos tecidos ou à função do assoalho pélvico.

Para a ginecologista, o tema merece atenção porque muitas mulheres enfrentam uma situação paradoxal após o emagrecimento: ao mesmo tempo em que comemoram a melhora metabólica e a perda de peso, passam a perceber alterações corporais que podem impactar autoestima, conforto e sexualidade.

Por isso, ela reforça que o acompanhamento deve considerar composição corporal, nutrição, saúde hormonal, bem-estar emocional e qualidade de vida. “As alterações íntimas relacionadas ao emagrecimento podem ser avaliadas e tratadas de acordo com as necessidades de cada paciente”, conclui.

 


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